domingo, 12 de abril de 2009

RECOMENDAÇÃO TEATRAL

Se alguém quiser ir ao teatro e divertir-se com um espetáculo da melhor qualidade, recomendo enfaticamente o musical "Avenida Q", em cartaz no Teatro Clara Nunes.

É tiro certeiro!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

CURIOSIDADE ZOOLÓGICA

Apenas para registro de um fato inusitado: Francisco, meu Golden Retriever, fez um cocô que ficou em pé!

(Aliás, backtracking: "coco", enquanto fezes, ainda tem acento? Coco não é cocô, antes de processado!

Espero que o acento permaneça assentado, pois, caso contrário, poderemos ter de nos indagar se um escritor é coprófago caso diga algo como: "Hoje comi muito coco!")

Que forma de começar o dia...

terça-feira, 7 de abril de 2009

REFORMAR A REFORMA

LATE LATE NEWS: o DIAA (Departamento Interdisciplinar de Apoquentamento Alheio) atacou novamente, recentemente!

Foi quando comecei a pensar que sabia escrever em português e... pimba, lá veio outra reforma ortográfica pra me fazer escrever errado!

Pois bem, que seja! Eles venceram! Eu desistio!

Por tempo demais eu fiz parte da elite dos fortes, dos estóicos, dos imbecis que acreditavam que escrever corretamente faz alguma diferença.

Agora vou acrescescentar mais esse descaso a meu culto à divina deusa Caganda e Andanda! (Adoro, mais que tudo, dizer "divina deusa"!)

Recebi, cortesmente, a parte do Diário Oficial da União em que foi publicada a patuscada acordada entre os países lusófonos, e terei de lembrar-me de não esquecer de não estudar.

Acuma? Você?!?!?! O canal anal do idioma? Faz-me rir! Faço-te? Ora, pois... sua declaração entrará para os anais anais da mentira universal!

Mas é mesmo verdade: caguei três bardi até a borda para esta reforma, do mesmo modo que a maioria já vinha fazendo, há tempos, com as que a predecederam!

Sim, sim, sim, digo, e repito, como Mr. Magoo (dublado) antes de esborrachar-se contra o próximo poste e dizer: - Oh, desculpe, senhor.

Mas não me desculpo e nem espero perdão pelos crimes ortográficos que cometer daqui pra frente.

"Para!"

"Para que você disse para?", perguntarão vocês, no mais correto neo-português.

Well, Manoel, errar ao escrever me trará para mais perto do homem comum, aquele que trabalha na obra de duplicação da Rio-Santos e lê, todo dia, uma placa que informa (?): "HUMP (quebra-molas, desenhadinho) À 100m".

Talvez os emplacadores empacadores do Ministério dos Transportes, DNER ou sei lá quem não tenha sido informados sobre a norma culta da língua, pré e pós reforma.

Ou será que EU estou errado, e resolveram tascar um acento grave numa preposição? Mesmo com erros de concordância de gênero e número gritando: "ISTO É UMA PREPOSIÇÃO"!

"À metros", confesso, me perturba todos os chakras, quase me faz bater o carro na placa... mas haverá outras ocorrências, porque a incidência de erros relativos à incidência de crase invadiu nossos ruas e lares de modo mais insidioso do que o Big Brother Brasil!

Sendo assim, omessa, ora essa, vamunessa reformar a reforma ao propor, desde já, o início da próxima: extinção do acento grave em contrações do artigo "a" com a preposição "a"!

Motes: "Crase? Nunca mais!"; "Abaixo a crase!"; "Crase é o cacete!"

BINGO! Fácil, ninguém mais vai errar, pois não haverá modo de acertar!

Enquanto isso... ATENÇÃO, pelamordideus! A preposição "a" não vai NUNCA coincidir com objetos de gênero masculino, assim como não coincidirá com aqueles que estejam no plural!

Cuidado, reforma ortográfica "aos 100 metros"!

Eita, língua acidentada!

domingo, 5 de abril de 2009

AMAZING LACK OF GRACE

O que será que leva um ser humano a pagar cento e oitenta e duas piletas para assistir a um show abençoado como o do Harlem Gospel Choir e dar as costas para o palco ao abrir tonitroantemente uma latinha de cerveja, enquanto no palco um anjo torto canta Amazing Grace como Deus teria gostado de fazer?

Não tenho como saber a resposta, estupidez tal is beyond me.

Mas, como sempre, o mais impertinente dos espectadores de um espetáculo vem sentar-se... a meu lado - à côtè, como diria o Ibrahim Sued.

Em outra encarnação devo ter sido garção de um cabaré que apresentava apenas grandes artistas e ter ficado a zanzar por entre as mesas para servir durante os números, atrapalhando a fruição estética da platéia.

Haverá outra explicação?

Será tentação homicida, uma prova de resistência, de força moral?

De um modo ou de outro, minha dedicação à sublime Caganda e Andanda deu muito certo, nesse caso, pois o palco é sempre melhor do que o chato.

Espero que eu continue assim, desde que nenhuma animal (y compris humanos) seja maltratado perto de mim!

JÁ QUE FALAMOS NO ASSUNTO....

Oito formas de auxílio para mudar o mundo:

http://www.objetivosdomilenio.org.br/index.asp

CARIDADE INFANTIL

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&client=firefox-a&rls=org.mozilla%3Apt-BR%3Aofficial&hs=0hJ&q=caridade+infantil&btnG=Pesquisar&meta=cr%3DcountryBR

CHILD RELIEF

http://dir.yahoo.com/Society_and_Culture/Cultures_and_Groups/Children/Organizations/Relief_Organizations/

A VANTAGEM

Well, Manoel, se isto pode servir de algum consolo quanto ao teor das informações na postagem anterior, lá vai: minhas fontes esotéricas garantem cabalmente que todo o caos experimentado foi cuidadosamente previsto e arranjado de modo a propiciar um arrojo súbito de ascensão espiritual, a ocorrer... sim: em 2012.

Não virá sem dor, dizem, e tudo o que é requerido de nós para auxiliar a vibrar energia é, simplesmente, ser tão gentil, caridoso, carinhoso e compassivo quanto possível.

Pra mim é pouco, eu ainda quero mudar o mundo.

Porra, quando é mesmo que acaba a adolescência, hein?

Acho que me ensinaram tudo errado na escola de conformismo materialista.

Estou, mais uma vez, prestes a jogar tudo pro alto... ou não, porque a minha vida também é importante da forma como é.

Mas é dificílimo saber que desde que comecei a escrever esta postagem cerca de sessenta crianças morreram de fome.

E ainda se fala, seriamente, em crise monetária!

Faz parte, dizem as minhas fontes, mas que não se ignore as crianças, pelamordideus!

SEM TRADUÇÃO FICA MELHOR...

Será que o conceito de "raça humana" é aplicável a uma espécie animal como a nossa?

Sinceramente, não queria fazer parte dessa raça, mas minha alma foi largada por aqui, creio que a pedido... meu.

Acho necessário fazer alguma coisa para remediar a situação atual do mundo "real" dos entes humanos.

Um trecho, traduzido, dá uma idéia do contexto geral da situação, nesse mundo duplamente fantasioso em que vivemos: "(...) No mundo, a cada cinco segundos uma criança com menos de dez anos de idade morre de fome (...)"

Por isso o título; é melhor não saber.

Sem entender... fica mais fácil.

A vergonha de ser humano neste mundo só aumenta quando se lê informações como estas:

"Nothing good has come from the South(ern Hemisphere)" - Henry Kissinger

Jean Ziegler is a senior professor of sociology at the University of Geneva and the Sorbonne, Paris. He is one of the leading protagonists in the world for the anti-globalization movement and has taken a continued stand for human rights, the right to food and a decent livelihood for all people. In 2000, he was appointed by the United Nations Commission on Human Rights as the UN Special Rapporteur on the Right to Food. He kept this position until March 2008 in spite of much hard criticism from the neoliberal leaders of the U.S. and the UN for his categorical stand for equal rights for all people. His continued fight against poverty, hunger and chronic malnutrition in the world has been a constant embarrassment to the West. He is now the Swiss member of the UN Human Rights Council. His is one of the very few voices heard on the international scene speaking out loudly against the criminal financial system that has put the world in its present tailspin with hunger and lack of human rights, devastating a continually increasing mass of the world's 6.6 billion population.

Unfortunately he is not very well known in the Anglophone world, where, for obvious political reasons, his humanitarian message is hushed up. He says in "Empire of Shame": "One thing is certain: world agriculture, in the current state of productivity, could feed twice the number of today's global population. So it is not a matter of fate: hunger is man made." "Empire of Shame - A Conversation with Jean Ziegler" He has written several books on the lack of justice in the world, condemning the vicious global power system that allows close to a billion people to be the chronic victims of hunger and permanent malnutrition and denouncing crimes committed in the name of global finance and capitalism.

See: Hunger in the Midst of Plenty, By Girish Mishra.

In an interview with Daniel Mermet on French radio (Là-bas si j'y suis) on May 4, 2008, Mermet says: "According to Jean Ziegler there are today 854 million permanently undernourished people in the world." See: Insurrection of the Famished - Causes and Possible Remedies of the World Hunger Crisis In his call for a moratorium on biofuel Ziegler says "Nearly 900 million people worldwide suffer hunger"- October 11, 2007 (UN rapporteur calls for biofuel moratorium) See Food or Fuel? - on "The myths of the transition towards biofuels" (Le Monde Diplomatique, June, 2007) Also see: UN rapporteur calls for biofuel moratorium
In the following interview (below) Jean Ziegler says that "923 million people [in the world], more than one in six, are permanently severely malnourished."

Interview with Jean Ziegler by Cathy Ceïbe

Fighting against the imbalance in the world, in the 'Hatred of the West'[1], Jean Ziegler calls for a new social contract based on global solidarity and dialogue between the South and the West.

Former UN Special Rapporteur for the Right to Food, Jean Ziegler is now a member of the advisory committee of the board of Human Rights of the United Nations. His latest book, 'Hatred of the West' (Albin Michel), is a merciless indictment against "globalized capitalism and the cannibalized order it imposes on the planet."
The debate is heating up about the nature of the crisis. Some consider that rather than a crisis of the financial system which should be corrected, we are facing a multidimensional crisis, and there are those who even call it a crisis of civilization.

Do you share this view?

Jean Ziegler. Yes. This is the unmasking of the capitalism of the jungle. There is, on the one hand, the suffering of American workers: 25 million families evicted from their homes since March, plus 10 000 tenants evicted every day since September. Thousands of pension funds are gone up in smoke. In France, unemployment is rising rapidly. Social budgets will be reduced. We must consider the scale of the unacceptable disasters that will follow. At the same time, we are witnessing an extraordinary fact: the mask of neoliberalism has come off. Theories that legitimize the present state of capitalism have fallen apart, namely the self-regulation of the market, the liberalization (deregulation) of all capital movements, goods and services, the privatization of all public sectors, the claim that economic laws are laws of nature, the defamation of the nation state and its regularizing powers. This ultra-liberalism, which reduced workers to impotence, has been caught in a trap. The real actors of the "invisible hand" appeared to be leading and we were told that there was nothing we could do against their power: the predators, the speculators, the oligarchs of the financial market whose only motivation is greed, cynicism and an obsessive taste for power. This unmasking paves the way for awareness about the true nature of global capitalism and the cannibal order it imposes on the planet.

In your opinion, has anyone measured the scale of the impact of this crisis on the South?

Jean Ziegler. "When the rich lose weight, the poor die," says a proverb. World hunger is increasing at a breathtaking rate. Every five seconds a child under ten dies of hunger in the world and 100 000 people die every day from hunger or its immediate after-effects. 923 million people, more than one in six, are permanently severely malnourished. The daily massacre of hunger is increasing. At the same time, President Nicolas Sarkozy has massively reduced public aid to development. In Africa, projects are suspended. The United Nations has identified eight priority tragedies to be eliminated. These are the objectives of this millenary that are to be achieved by 2015: eradicating extreme poverty and hunger, ensuring all school-age children a basic education, promoting gender equality and the empowerment of women; reducing child mortality, improving maternal health, combating AIDS, malaria and other epidemics; ensuring the protection of the environment, establishing a global pact for development.

The cost of these objectives has been set at 82 billion dollars annually over five years. Since 2000, the West said there was no money. However, on October 12, at the ?lysée Palace[2], in three and a half hours, the 27 EU countries released €1 700 billion for credit to be used between banks and to raise the floor of pure capital for the banks from 3 % to 5%. 1% of these €1 700 billion would suffice to eliminate the eight tragedies afflicting the Third World countries. This world order is not only mortal, it is absurd.

The G20 summit in Washington claims to develop responses to this global crisis [3]. As we know, the South will be the major absentees. Does this exclusion not increase the "rational hatred" by the South against the West that you mention in your latest book?

Jean Ziegler. Undoubtedly. "They have removed the helmet, but underneath their head is still colonial," said Régis Debray. The West leads a suicidal policy. For five hundred years, whites, who now represent only 13% of the world's population, have dominated the world through successive systems of oppression: the genocide of Indians with the conquest of America, triangular trade by the slavery powers involving the plunder of primary resources, the deportation of 400 million Africans, then the colonial occupation and its massacres and finally the world order of global capitalism.

Edgar Morin says: "The domination of the West is the worst in human history in its duration and its global expansion. "The hatred of the West has two main sources. First this mysterious and wonderful rebirth of memories that nobody expected. Slavery was abolished there a hundred and twenty years ago. The last country to have done so is Brazil in 1888. Colonialism was also ended, about fifty years ago. And yet it is only now that this memory of injuries, the memory of the horrors committed are waking people up to full awareness of the past. They are now claiming compensation and claiming repentance. Let us not forget the extraordinary scene in December 2007 when Nicolas Sarkozy arrived to sign a number of contracts in Algeria. President Bouteflika told him in advance: "First you apologize for Sétif," the massacre of May 8, 1945 when thousands of Algerians, women and children were executed by the French army while demonstrating peacefully. Nicolas Sarkozy replied that he had not come to indulge in "nostalgia". Bouteflika replies: "Memories before business". And the agreements were not signed. A radical new force in history has irrupted: the demand that memories be taken into account. In Bolivia, 2006, the democratic election of an Indian to the presidency for the first time in five centuries is the pure fruit of this rebirth of memory. The second source is the total rejection of global capitalism which the peoples of the South are the victims of. The rebirth of memory and absolute refusal of the latest system of oppression are at the root of this reasonable hatred.


You say in your book that "the peoples of the Southern Hemisphere have decided to demand compensation." To whom will they turn?

Jean Ziegler. To the West of course. But the West remains blind and deaf to the claims of the South with their awakened memories. See the outrageous rhetoric of Sarkozy in Dakar in July 2007 or the failure of the World Conference on Racism in Durban in 2001.
While making the West responsible, does this not clear the governments of the South, who are also actors of capitalism, of their own responsibility?
Jean Ziegler. Yes, the example of the appalling regime of Nigeria, which I spoke of at length in my book, attests to this. Nigeria is the eighth largest oil producer in the world, the first in Africa. It is the most populous country on the continent with 147 million inhabitants. Life expectancy is only forty-seven years. Over 70% of the population lives in extreme poverty. Malnutrition is permanent. There are no schools, no health services. All this because of the endemic corruption of military dictators who have successively held power since 1966. The bond of trust between citizens and the state is broken by corruption and looting. But the responsibilities are shared. The oil companies exploiting the immense wealth of the country, Shell, Elf, Exxon, Texaco, Repsol ..., are the active accomplices of the generals. Oil companies favor corruption because it serves their interests. When negotiating the sharing of wealth and property, it is infinitely better to have corrupted leaders to deal with rather than a democratically elected government that defends the public interest. I condemn corruption. The generals of Abuja are crooks, but all the same, we must see the origin of this evil power system where the accomplices keep the corrupt in place.

You say that barbaric capitalism is showing its true face. What can this lead to?

Jean Ziegler. The collective consciousness is about to begin a process of apprenticeship and analysis. The social counterattack is getting organized. We are currently experiencing a very favorable stage of this movement. France is certainly socially unjust, but it is a vibrant democracy. Information is circulating. The freedom of the press is guaranteed. Thus, it is time for analytical reasoning to begin. Outsourcing, for example, is rooted in the concept of social dumping. In response to this, the reactions of employees have often been resignation: "There is nothing we can do, it is the market that decides." There was a very profound alienation on the part of the working classes when faced with the "invisible hand" of the market. Many workers had come to believe that unemployment, deregulation and labor insecurity were inevitable. Meanwhile, over the past decade, social protection of employees has melted like snow in the sun. However, these lies have now collapsed. The invisible hand has finally became visible: it is the hand of the predators. How will the social counterattack be organized? We do not know yet, but that is the central issue.

Among emergency measures to address the crisis, is it possible to create a regulation of tax havens?

Jean Ziegler. We must eliminate them altogether. This is one of the most urgent measures to be taken. It should also abolish bank secrecy and restore the rule of a public sector when it comes to public services, reverse privatization, impose strict regulations for capital movement, ban outsourcing and regulate the stock market to avoid speculation. It is certain that the financial oligarchs who operate exclusively to maximize profit must be submitted to state regulation. Free trade is an evil when the state loses its regulating force. The interest of the country is social justice, a secure livelihood, progressive taxation to ensure a redistribution of national wealth, absolute priority given to job security, equitable distribution of resources and social democracy.

Do you believe that a common front for the peoples of the South and the West might be possible?

Jean Ziegler. I am sure that this process will lead to a new global social contract. The opposite of a self-regulating market is the law. Jean-Jacques Rousseau wrote in the Social Contract: "Between the strong and the weak it is freedom that oppresses and the law that liberates." I am absolutely certain that people will understand that Western inhumanity inflicted on others destroys the humanity that is in them. We possess moral imperatives, a conscience of identity. This cannibal order of the world, this reign of predators, which we witness in the daily massacre of famine is no more acceptable to the citizens of the West. The proof exists, with the colossal fund-raising for banks, the growing availability of enormous wealth to deal with the abysmal overexploitation and poverty of so many peoples in the South. A new contract of solidarity and dialogue between the South and West will be developed by people released from their feeling of living in different worlds.
The risk that this crisis might increase the inequalities that already exist or favor a reaction are real. Is this not showing too much enthusiasm?

Jean Ziegler. I know the argument. The stock market crash of 1928 and the global economic crisis gave birth to fascism in several European countries. But fascism was born from the humiliation of defeat, that of Germany at the end of the First World War, a desire for revenge. The Western victors did not do anything to stop it, preferring Fascism to Bolshevism and to a revolution, which the bourgeois elites felt a panicky fear for. The world was still largely colonial. We are not at all in the same situation. What is threatening us today, if the West does not wake up, is the pathological hatred of groups from the South and growing violent racism in the West. But these hazards can be averted. In the Babylonian Talmud, there is this mysterious sentence: "The future has a long history. "It is important that the West welcome the resurgent memory of the South, recognizing crimes committed, and that we offer compensation. And the West must, first of all, consent to dismantle the cannibalistic order of the world, move from capitalism to civilization. Barack Obama is coming to power in an aggressive empire, overly armed, which claims military, economic and political hegemony on the planet. Will it dismantle its imperial structures and inaugurate an international policy based on reciprocity, cooperation between peoples, in short, a policy subject to the norms of international law? I doubt it. The mobilization of social forces in Europe and in the South, resistance to the restoration of the capitalism of the jungle will be essential for a humane civilization to come alive on our planet. But the tremendous resurgence of memories by African-Americans who made Obama 's election victory possible, already in itself gives a lot of hope.

Interview conducted by Cathy Ceiba

quinta-feira, 2 de abril de 2009

CÂMBIO... DESLIGO

Hoje recebi um dos e-mails mais cretinos jamais enviados.

A "pérola internética" apresenta uma série de fotos feitas na Índia cujas imagens mostram aspectos supostamente "chocantes" da cultura daquele país.

O título era algo como: "Imagens da Índia que a Globo não mostrou"...

Oh, man...

Miséria, obras em monumentos, cadáveres boiando nas águas do mesmo Ganges em que pessoas lavam roupas, banham-se, divertem-se e bebem água parecem querer ilustrar alguma inferioridade da cultura do país.

Isso, para mim, é um pouco além de ser demasiado ignorante.

Apenas para deixar a coisa em termos ligeiros e amenos, basta dizer isto: o país mais espiritualizado do mundo já foi, também, um dos mais ricos... antes de ser invadido e colonizado.

Não sei se o que me incomodou mais foi a ignorância quanto à Índia, o preconceito contra a miséria, a insinuação basbaque contra a Globo ou, apenas, o fato de o missivista ter enviado o mesmo e-mail três vezes, em sequência imediata, como se o conteúdo fosse a mais palpitante das novidades... ou eu fosse o mais imbecil dentre os idiotas.

É por essas e por outras que hoje relembro, com saudade, o tempo em que me mantive completamenet offline e, por consequência, cogito seriamente em voltar a fazer o mesmo, porque paciência tem limite e eu, sinceramente, tenho coisas mais importantes do que responder bobagens ignobilmente ignorantes para cuidar.

Eu não devia me importar tanto, talvez, portanto creio ser chegada a hora de cultuar em definitivo a sublime deusa Caganda e Andanda.

Sendo assim, estabeleço um decreto universal, a valer a partir de hoje: liguei o foda-se! Vou cuidar apenas da minha vida.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Coisa bonita...

A melhor regra de um blog, em minha opinião, é a única: não há regras!

Sendo assim, hoje vou apenas aspear este bonito texto, que catei no balcão da recapção da academia em que estou fazendo aulas de canto:

"Dança da paz - Rudolf Steiner

Germinam os desejos da alma,
crescem os atos da vontade,
maturam os frutos da vida.

Eu sinto meu destino,
meu destino me encontra.
Eu sinto minha estrela,
minha estrela me encontra.
Eu sinto meus objetivos,
meus objetivos me encontram.

Minha alma e o mundo são um só.

A vida, ela se torna mais clara ao redor de mim,
a vida, ela se torna mais árdua para mim,
a vida, ela se torna mais rica em mim.

Busque a paz,
viva a paz,
ame em paz."

quinta-feira, 26 de março de 2009

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM...

Quando eu era mais novo, o título acima, assim como o fabulástico "As tranças de um careca", era usado para chamar um filme cujo nome alguém esquecera.

Well, Manoel, here am I, again, once more, de novo!

Não sei no que vai dar e nem se dar em alguma coisa, mas daqui pra frente pretendo deixar pelo menos uma postagem por dia, nem que seja apenas uma frase.

Dito isso... tenho de ir embora, cuidar da vida real!

Aqui é muito bom, mas há um mundo lá fora, todo dia, esperando para ser descoberto.

Até amanhã!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

2/3 de desafio

O cara é o narigudo Pete Townshend, provavelmente o melhor compositor do rock em todos os tempos, e as canções vão desde a época em que apenas integrava o The Who até a sua carreira solo.

A essas horas não dá pra traduzir...

1. Você homem ou mulher?
I am a man who looks after the pigs, usually I get along OK. I am a man who reveals all he digs, should be more careful what I say... (The Odd Jobs, Quadrophenia)

2. Descreva a si mesmo
I see a man without a problem
I see a country always starved,
I hear the music of a heartbeat,
I walk, and people turn and laugh.

Is it in my head
Is it in my head
Is in my head here at the start?
Is it in my head
Is it in my head
Is it in my head, or in my heart?

I pick up phones and hear my history.
I dream of all the calls I miss.
I try to number those who love me,
And find exactly what the trouble is.

Is it in my head etc.

I feel I'm being followed,
My head is empty
Yet every word I say turns out a sentence.
Statements to a stranger
Just asking for directions
Turn from being help to being questions.

I see a man without a problem. (Is it in my head - Quadrophenia)


3.O que as pessoas acham de você?
Why should I care, why should I care? (Introducão de "Five Fifteen", Quadrophenia)


4. Como você descreveria o seu último relacionamento?
We're not gonna take it, gonna break it, gonna shake it, let's forget it better still... (We're not gonna take it - Tommy)

5. Descreva o estado seu relacionamento atual
No one knows what it's like to be hated, to be fated, to telling only lies
But my dreams they aren't as empty as my conscience seems to be (Behind Blue Eyes)

6. Onde você gostaria de estar agora?
Exquisitly bored in California
Exquisitly bored - just like all the rest (Exquisitely bored - All the Best Cowboys Have Chinese Eyes ATBCHCE)


7. O que você pensa a respeito do amor?
Only love
Can make it rain
The way the beach is kissed by the sea.
Only love
Can make it rain
Like the sweat of lovers
Laying in the fields.

Love, reign o'er me.
Love, reign o'er me, rain on me.

Only love
Can bring the rain
That makes you yearn to the sky.
Only love
Can bring the rain
That falls like tears from on high.

Love reign o'er me.

On the dry and dusty road
The nights we spend apart alone
I need to get back home to cool cool rain.
The nights are hot and black as ink
I cant sleep and I lay and I think
Uuh, Oh, god, I need a drink of cool cool rain. (Love, Reign O'er Me - Quadrophenia)

8. Como é a sua vida?
People try to put us d-down (Talkin' 'bout my generation)
Just because we get around (Talkin' 'bout my generation)
Things they do look awful c-c-cold (Talkin' 'bout my generation)
I hope I die before I get old (Talkin' 'bout my generation)

This is my generation
This is my generation, baby

Why don't you all f-fade away (Talkin' 'bout my generation)
And don't try to dig what we all s-s-say (Talkin' 'bout my generation)
I'm not trying to cause a big s-s-sensation (Talkin' 'bout my generation)
I'm just talkin' 'bout my g-g-g-generation (Talkin' 'bout my generation)

This is my generation
This is my generation, baby

Why don't you all f-fade away (Talkin' 'bout my generation)
And don't try to d-dig what we all s-s-say (Talkin' 'bout my generation)
I'm not trying to cause a b-big s-s-sensation (Talkin' 'bout my generation)
I'm just talkin' 'bout my g-g-generation (Talkin' 'bout my generation)

This is my generation
This is my generation, baby

People try to put us d-down (Talkin' 'bout my generation)
Just because we g-g-get around (Talkin' 'bout my generation)
Things they do look awful c-c-cold (Talkin' 'bout my generation)
Yeah, I hope I die before I get old (Talkin' 'bout my generation)

This is my generation
This is my generation, baby (My Generation - The Who)


9. O que você pediria se tivesse direito a apenas um desejo?
People, stop hurting people (Stop Hurting People - ATBCHCE)

10. Escreva uma frase sábia:
The sea refuses no river, we're polluted now, but in our hearts still clean (The Sea Refuses No River - ATBCHCE)

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

OUSAR O SALTO MORTAL - III (FINAL)

E ser feliz é tão fácil, meu Deus! Tão fácil!

Artistas costumam ser felizes porque realmente escolheram fazer o que fazem, apesar de muitos não-artistas considerarem a arte como uma ocupação adequada aos preguiçosos, àqueles que fracassariam fragorosamente no mundo real, onde o “pega pra capar” é mais forte, onde “o buraco é mais embaixo”.

Essa noção costumava aborrecer-me. Hoje, após ralar tudo o que ralei, acho-a meramente risível.

Poucos, muito poucos, têm a mínima noção do trabalho que dá ser artista. Poucos, em anos de trabalho, já se concentraram tanto quanto um artista se concentra nos poucos minutos de duração de uma única performance sua, cuja execução pode ter dele exigido anos de treinamento técnico e dedicação repetitiva.

Poucos estudaram tanto, e por tanto tempo, quanto um artista. Poucos continuam a estudar por tanto tempo quanto um artista.

Mas isso não importa, porque artistas poder ser pagos para distrair todo mundo de tudo, mesmo de frustrações! Artistas vivem para isso! Então é óbvio que alguns artistas frustrados sempre podem alimentar seu desejo por arte ao usufruir trabalho artístico. (Certos críticos, aliás, ainda conseguem viver disso; alguns deles, numa espécie de revanche de inveja vingativa, falam mal de artistas, mesmo sem saber diferenciar um mi bemol de um peido de cabra!)

Como artista, agradeço, sim, sou pago dessa forma. Mas também lamento.

Eu preferiria ter mais colegas que platéias!

Mas muitos bons artistas sufocaram suas vocações em função de uma noção distorcida do que seja a vida, muito mais baseada em materialismo do que na simplicidade de ser feliz com muito pouco – como fui, na maior parte de minha vida.

Já passei por apertos terríveis, mas a música sempre me consolou, mesmo no pior deles. A música NUNCA mentiu pra mim, e sempre soube ser simpática à minha eventual falta de competência ou dedicação - ela é complacente, mas nunca indulgente.

Por isso sempre saí de cena quando a música ia mal, à exceção de uma única ocasião, quando atuei como um dos salva-vidas desta mesma música (uma que ia mal).

Sei perfeitamente bem que até mesmo em minha carreira poderia ter evoluído mais, mas sempre preferi sinceridade a fingir que estava feliz onde não estava ou a puxar o saco de qualquer um ou fingir que a música funcionava, quando estava claro que nunca funcionaria. Teatro nunca foi meu forte.

Com isso, a música que produzi sempre foi honesta, e com essa atitude de desprendimento descobri que a vida pode ser bem mais do que a peça encenada cotidianamente no Grand Guignol da pusilanimidade e da acomodação, onde marionetes covardes encenam atos de sucesso para uma claque paga por suas próprias conveniências, todas ditadas por ambições, posto que não hesitariam nem por um segundo em atropelar aqueles astros que aparentemente idolatram.

Lamento, também, que poucos artistas materialmente bem sucedidos no teatro da vida consigam deixar de entregar-se de modo tão agudo aos prazeres da boa vida.

Lamento, mais ainda, que muitos vivam envenenados pelas benesses obtidas pelo “sucesso”, disfarçando suas inadequações à verdade de sua arte – seja esta qual for – ao se tornarem em seres voluntariamente intoxicados por substância danosas à saúde, fazendo uso delas sistematicamente, com freqüência diária, às vezes.

Com isso vão tornando-se lassos (em todas as acepções do termo: fatigados, cansados, dissolutos, enervados, gastos, bambos, relaxados, frouxos), com o coração e os pulmões a explodir, com os fígados a estertorar, mais e mais indispostos a reagir contra si mesmos a favor de si mesmos, cheios de excessos trazidos pela bonança de viver uma vida dita reta.

De onde estou, hoje – como um artista voador que decidiu contemplar a possibilidade de ter que sair do trapézio para apenas manipular com carinho a corda de alçada – sinto a vibrar, muito intensamente, em toda a minha atual pobreza física, uma enorme satisfação por tudo que pude me conceder no tempo em que voava sem receio, confidente em ser capaz de alcançar o braço do colega.

Sei que fiz a escolha certa. Sei que fui, sou e sempre serei são, com a graça de Deus.

Gostaria de poder incentivar todos os que uma vez trocaram o caminho de suas vocações a abrir um atalho em direção à felicidade de figurar no centro do picadeiro de seu próprio circo, sem medo de fazer o papel do palhaço (que, por acaso, é o artista que mais admiro e com o qual melhor me identifico).

Queria que todos, em todo o mundo, fizessem o mesmo. "Djá!" como diria Walter Mercado... hmm, nem tanto. Já!

Que todos deixassem de fingir e passassem a ser o que realmente são.

Mas como iria poder ajudar a fazê-lo sem auxílio da consciência e da coragem de cada um?

Não tenho poder algum sobre ninguém neste mundo, e nem quero ter, pois prezo a liberdade acima de tudo.

Minha mulher é o melhor exemplo de que ajo como falo; ela sabe disso, e vive sua vida afastada de mim, com grande liberdade. Quase nunca nos encontramos. Passamos semanas sem nos falar. Mas ela sabe, assim como eu sei, que estamos juntos por escolha, que nada além de nossa livre vontade espiritual de estar com o outro é motivo de nossa milagrosa união.

Assim como eu, ela sabe que tudo pode mudar, pois há liberdade. Mas parecemos ambos inteligentes o bastante para considerar que temos pouquíssimas chances de encontrar alguém mais que, como nós dois, possa dar tanto de si ao outro, mesmo na mais prolongada das ausências.

Para mim, basta saber que ela existe, e não poderia ser desonesto em afirmar que pode haver outra. Ter outra seria trair a mim mesmo, desonrar a minha verdade.

Hoje, por exemplo, não tenho a menor idéia de onde ela esteja. Não nos falamos desde muito antes deste Natal, mas nem assim pretendo acompanhar seus passos, quando nos falarmos, indagando, mesmo casualmente, onde esteve, a não ser que ela decida dizer, espontaneamente.

Amor não é complicado quando existe confiança no outro e no próprio sentimento. Não preciso dizer a ela o quanto a amo, porque meu amor veio dela. Ela sabe.

Sempre será assim, não importa se o tempo e a distância que nos separam pudessem ser confundidos por outrem com algo diferente, como frieza ou desinteresse. Eu apenas espero, pacientemente, sabendo que serei outro ser humano, pior do que sou, se me deixar afetar por nosso afastamento, até porque este não é compulsório, isto é, nós decidimos assim.

Apenas torço e rezo para que ela esteja bem, com saúde, cuidando de si, mas sem querer acompanhar seus passos para saber disso. Ela deve saber de si. E sabe, com certeza, que sempre estarei aqui, pronto para dar qualquer auxílio de que necessite, mesmo se estiver além do meu alcance. Mas caminha sem interferência minha, exceto para ajudar, a pedido seu ou quando percebo que ela necessita.

Neste ponto da vida em que estou hoje, como pai, os únicos passos que posso acompanhar a interferir (mas sem interferir demais), são os passos de minha pequena bailarina, Alice, minha filha, o segundo grande amor da minha vida. (Digo “segundo” porque só descobri o valor desse sentimento após conhecer minha mulher, que o extraiu de mim, pela primeira vez na vida, há pouco mais de dois anos.)

Meu poder sobre ela é legal, e busca preservar sua integridade física e moral. No mais, sempre será ela consigo mesma.

Não posso querer seu respeito sem conhecê-la e respeitá-la, aceitando suas idiossincrasias. Não tento mudá-la, apenas chateio um pouco, de vez em quando, porque sou mais criança do que ela e quero sair, brincar, rir e me divertir quando ela, se deixada na sua, ficaria em casa.

Adoraria se ela descobrisse em si uma artista, e tentaria ajudá-la do mesmo modo como a educo: com a troca de experiências e ao proporcionar oportunidades de ver o mundo sem ilusões, mostrando todos os lados que conheça. Não quero criar uma pessoa iludida com a vida.

Mas se ela se descobrir uma permanente incógnita, uma metamorfose ambulante, eu a acompanharei em todas as suas buscas, assim como sempre me dispus a acompanhar todos vocês, amados amigos, em sobressaltos causados por seus saltos rumo ao desconhecido. E é cada trambolhão qu‘ocês toma!

De um modo ou de outro, somos todos uma coisa só, e a disposição de cada um em dar o salto para cada novo dia seguinte já é grande o bastante para dar conta de ter arte na vida.

Cuidem muito bem de si mesmos, em corpo e alma (nessa ordem) neste ano que se inicia daqui a pouco, e saibam que sempre estarei aqui, a balançar em meu trapézio, livre, leve e solto, mas pronto a estender a mão – mesmo que eu precise descer, mesmo que eu precise deixar de voar, seja pelo tempo que for.

Sem vocês, meus amores, eu não sou ninguém!

Mas todo o cuidado é pouco, comigo, porque eu também posso cair e me machucar!
Liberdade deixa a gente leeeeeve...

Saúde, paz, amor e luz, muita luz, são os desejos da atual família Leme (que pretende crescer, um pouco),
Mario, Alice, Dandara, Francisco, Roberto, Vini e Tunico

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

OUSAR O SALTO MORTAL - II

Por isso penso, agora, avaliando a validade de minha experiência.

Acho que se não pararmos para pensar na vida, pelo menos de vez em quando, nem que seja para compartilhar da experiência, estaremos vivendo sozinhos, felizes em contemplar nossos umbigos, em egolatria totalmente tola.

Não digo nada, aqui, para jactar-me do tanto que fiz. Digo-o apenas como incentivo à execução do salto mortal!

Por que fazer algo, qualquer coisa, diferente do que realmente queiramos? O que nos obriga a chegar a ponto de viver a vida inteira num exercício de ser diferentes do que de fato somos?

Acho que se eu tivesse sido médico, pra ficar no exemplo citado, teria sido, com certeza, um excelente profissional. Seria um médico muito rico e bem sucedido, não tenho dúvida alguma.

Mas estaria, com certeza, no exercício de uma possibilidade diversa da de minha vocação, entretido com um jogo de espelhos tortos, em cujas imagens basearia minha projeção material.

Estaria a viver em função da projeção externa de uma imagem distorcida daquilo que sou, do que habitava o âmago de minha essência. Em suma: pareceria ser o que era, mas não seria aquilo, de verdade!

Em verdade, viveria a massacrar meu instinto com o uso que teria feito de minha inteligência, em vez de ter me aproveitado dessa mesma qualidade pessoal para viver plenamente meu instinto - assim como fiz, tornando-me tão feliz.

Fingiria ter pleno gosto no que fizesse, pretendendo me enganar quanto a estar satisfeito com o que pareceria ser (ou seria) – mesmo sabendo que queria muito ter sido algo totalmente diferente.

Estaria, em suma, sempre, a contar uma mesma mentira a mim mesmo, permanentemente a fingir acreditar que considerava aquela mentira como uma verdade.

E, assim, estaria mentindo para o mundo inteiro, o tempo todo.

Com isso, desgraçadamente, teria transformado minha vida inteira em uma mentira, o que teria feito para satisfazer alguém mais, algo mais ou, sei lá eu o quê, uma noção qualquer, socialmente mais aceita, mais palatável de ter optado “melhor”, escolhendo algo possivelmente (ainda hoje) "mais certo", "'mais rentável". Ainda mais no meu caso!

Teria feito todo esse esforço em construir uma vida alternativa à que minha verdade comandava para não ter de lidar com a frustração por não ter cumprido a vocação que tenho; frustração que se acumularia, no tempo, em proporção direta ao intervalo em que tivesse estado afastado dela - caso um dia me reaproximasse.

Meu Deus! Valei-me, Santa Cecília! E pensar que poderia morrer afastado dela! Eu hoje poderia estar envelhecido, por dentro e por fora, carcomido pela covardia!

Quando tenho de olhar para para as imagens de alguns dos meus pares de geração, quase todos encanecidos, cansados, amargurados, azedos, tristes, gordos e, então, percebo a forma como encaram a minha imagem, sinto uma estranha sensação de vergonha!

Meu Deus, por quê? Por ter-me permitido percorrer o íngreme acesso que leva à felicidade da alma, ao invés de ir pelo caminho plano que me teria levado à "felicidade material" (entre aspas, porque, francamente, não acredito nisto: ser feliz no acúmulo de matéria, por si só).

E então repito, ainda, atônito, as mesmas perguntas que fiz a cada novo testemunho de uma das muitas vocações perdidas que acompanhei.

Por que não tentar, meu Deus? Por que não ousar? Por que ter de vir a usar alguma espécie de tóxico pra esquecer do trabalho de que não se gosta quando se pode, ao invés, estar sempre embriagado pelo trabalho que ama?

(Quando trabalhei em hospital, conheci um médico, filho de médico, que ocasionalmente se drogava com morfina, para poder anestesiar-se e conviver com a profissão, pois a dor que a presença da morte lhe causava sempre fora algo totalmente insuportável - eu ouvi isso diretamente dele, pessoalmente, olhos nos olhos.)

Então eu acredito piamente, hoje, com tudo o que sei e vivi, que há perigo para a alma em fazer uma escolha menos que natural.

Se não nos detivermos o bastante a observar a vida, para perceber o risco que SEMPRE há em viver, sejamos sambistas ou engenheiros, poderemos nunca tentar – ou sequer intentar – a ousadia de dar qualquer salto diferente daquele mesmo velho truque de todos os dias, algo cujo equivalente, no "mundo artístico", seria aquele ato burocrático de um artista desonesto com seu público e sua arte.

Triste espetáculo! Ambos cansados, ato e autor estacionarão na vida. Poderão serão bem avaliados, ao serem examinados acerca de seus conceitos – próprio, de si, e alheio, sobre si.

De si, por certo, estarão sempre cheios, de um modo ou de outro, seja enfarados ou cheios de si. Alguns a disfarçar o enfado a fingir encher-se de si.

O autor, acomodado, viverá em torno de algo que garanta ilusão de conforto, estabilidade, sucesso. Bens. Coisa que tem. Coisas. Nada.

Pensa o artista acomodado: "Mudar? Pra quê? Posso, no máximo, mudar de praça, trocar os figurinos e cenários, viajar o mundo, conhecer coisas, pessoas e lugares novos."

Sim, pode. Mas com a alma pela metade, vivendo apenas de sua energia, não do ânimo que pode proporcionar.

Todo mundo pode fazer isto: viver a repetir seu invariável ato e suas variantes, algumas até mesmo bizarras e aventureiras, vezes sem conta, apenas por "segurança".

Todo mundo pode ousar, de vez em quando, tentando um novo número, ensaiado vezes sem conta, mas para só brincar de viver.

Fará testes e mais testes para atos que não tornará públicos, com base na segurança de que sempre haverá algo que supostamente dará sustento, independentemente de o ato de viver ter perdido todo o seu brilho natural, pois tornou-se apenas em mecânica repetição de um mesmo número - o único que já tentou, o primeiro e último que tentará.

Morrerá famoso, mas sem dar à luz o mais pleno poder de sua criação.

É fácil um artista do trapézio sobreviver assim, a acreditar que exista algo, como uma corda presa ao teto, que mantém um único e feliz destino seguramente atado à volta do corpo, a segurá-lo e sustentar um eventual desequilíbrio.

Ou uma rede, que deixe esse ator que se faz artista – finge ser o que não é – despreocupado de si, caso se desconcentre a ponto de cair.

A cada sucessiva queda, basta um aceno simpático e viril à platéia para que tudo se novamemente se encaixe, e o ato tentado torna-se no mesmo sucesso de sempre.

Mas nada disso existe. Não há sucesso. Não há fracasso. Nada existe, além da alma. Não há segurança. Nada é permanente. Tudo pode mudar. É ilusão crer que tudo não possa ser como é: mutável.

Não há garantias de sucesso verdadeiro, na vida, exceto quando se ama o que se faz com paixão violenta e total entrega!

Sim, total entrega ao comando da alma!

Por quê?

Simples: quando a sustentação do ato assim for, advinda da alma, ela poderá vir somente do ânimo! Ainda que seja inexistente no espaço do picadeiro, enquanto for gestada, será permanente no tempo da vontade de realizar, até quando virar aplauso!

Um artista pode criar o mundo todo de novo em sua mente e saber que poderá dar vida à sua idéia, mas esso é o artista que cria, que muda, faz, desfaz e refaz!

O maior sucesso é fazer! Fazer com gosto, com verdade, por inteiro, entregando-se ao trabalho a ponto de esquecer-se inteiramente de si mesmo. Poucos fazem isso. É a mais rara das qualidades, na vida e na arte. (Muitos confundem excessos quantitativos com demonstrações de qualidade.)

Quantos artistas de verdade existem por aí, gente que nunca quis sequer descobrir a si mesma? Quantas dessas almas que terão de reencarnar para cumprir a missão de mensageiros de Deus que o Universo lhes atribuiu?

Muitos vão avante e depois retrocedem, receosos, e buscam atos mais simples e confortáveis. Outros, sem respeito próprio, usam a desculpa de que fazer arte seja coisa para vagabundos, para os pouco dispostos, para os que optaram por ócio improdutivo. Muitos esquecem de se pode fazer QUALQUER COISA com engenho artístico.

Pena. Um único descuido na escolha pode ser fatal! Ela pode ser descoberta como errônea após seus resultados terem sido tão prolongados no tempo da vida que este se veja encerrado sem que haja chance de escolher de novo, tentar de novo e errar de novo, se necessário.

Aos 50 anos de idade, caí, sim, muitas vezes. Tenho orgulho disso. Amo todas as minhas muitas cicatrizes, assim como tenho um enorme carinho por todos aqueles em quem possa ter causado uma ou outra marca indelével.

Quem se acomoda com o trapézio eternamente situado a dois metros do chão, segue o barquinho da mentira, vida afora, parando de porto em porto, tentando fixar-se em algum ponto. É um empreguinho aqui; um concurso ali; um bico cá; uma bocada acolá; estudos para formar-se em uma profissão totalmente afastada de toda a verdadeira vocação e talento.

Apenas para depois de tudo isso tentar conseguir passar num concurso para um bom emprego público, bem ao lado do porto de onde o barquinho zarpou, em sua viagem inaugural, tornando a vida numa longa trajetória no tempo; mas que, no espaço, levou do nada até lugar nenhum!

Tem gente que fica rica, assim! E acha bom! A todos, sem exceção, dou parabéns, a aplaudir de pé, pois eu não o conseguiria, jamais.

Enquanto o artista hesitante se prepara para dar seu salto, o seu tempo de vida passa ao largo, e o barquinho vira uma enorme estrutura amorfa, vagando em círculos concêntricos – ao redor do ego –, toda montada com a frustração do desejo verdadeiro a ser disfarçada de empenho em trabalho.

Tudo de mentira, tudo deixando de lado o dom recebido pela natureza, tudo para ganhar mais dinheiro do que seria necessário para viver em plena realização de sua vocação para ser, simplesmente, feliz. (continua)

OUSAR O SALTO MORTAL

O Circo Místico (Edu Lobo / Chico Buarque)

Não
Não sei se é um truque banal
Se um invisível cordão
Sustenta a vida real

Cordas de uma orquestra
Sombras de um artista
Palcos de um planeta
E as dançarinas no grande final

Chove tanta flor
Que, sem refletir
Um ardoroso expectador
Vira colibri

Qual
Não sei se é nova ilusão
Se após o salto mortal
Existe outra encarnação

Membro de um elenco
Malas de um destino
Partes de uma orquestra
Duas meninas no imenso vagão

Negro refletor
Flores de organdi
E o grito do homem voador
Ao cair em si

Não sei se é vida real
Um invisível cordão
Após o salto mortal

Composta como parte da trilha sonora do espetáculo teatral "O Grande Circo Místico", e gravada no LP homônimo por Zizi Possi.class="MsoNormal">___________________________________________________________________

Queridos amigos,

Este ano, como sempre, tento oferecer, a todos, alguma reflexão acerca de minha experiência.

Vã filosofia? Com certeza, pois nada se equipara a viver.

Faço isso, este ano, inspirado pela canção cuja letra foi acima reproduzida, uma descoberta recente, cujo áudio, em MP3, posso enviar a quem pedir. Como incentivo, devo dizer que é uma das dez canções mais lindas que já ouvi.

Contemplando comparativamente o que estou prestes a perder (minha profissão) com o que muitos julgam que já terei perdido (outra profissão qualquer), resolvi fazer uma espécie de desabafo.

Fiz isso frente à dolorosa contemplação do momento em que me vejo: prestes a ter de encarar a triste – mas distintamente real – possibilidade de ter de abandonar a arte que venho praticando desde a adolescência – tocar bateria –, o que pode ocorrer em função de duas limitações físicas: uma é motora, de caráter neurológico-muscular, e a outra é anatômica, de caráter neurológico-esqueletal.


Isso já vem ocorrendo há cerca de dois anos, e a condição se agrava, infelizmente, de modo lento e implacável.

Tanto que hoje não posso dizer que sei ao certo quanto tempo me resta como baterista profissional. Está difícil tocar, sim, e muito.

Mas, ainda assim, tenho condições técnicas boas o bastante para fazer com que prossiga atuando profissionalmente, consciente de minhas limitações e ciente de que devo manter-me atento ao grau delas para não prejudicar quem atue a meu lado.

Se sentir que terei de parar, irei fazê-lo, mas não sem antes ter esgotado todas as alternativas de luta.

Ainda bem que sempre tive boa saúde! Por sorte, com a graça de Deus, sempre vivi em ambientes musicais essencialmente saudáveis, em que minha opção por não me drogar (nem com bebida) foi respeitada – ou, como agora, ela era a mesma opção adotada pelos colegas.
Com isso, mantive praticamente intacta a minha saúde, à exceção do que ora me afeta, ocasionado, possivelmente, por movimentos repetitivos, que estão no cerne de minha atividade.

Estou feliz, como sempre, apesar de tudo, por dar-me conta de tudo aquilo que já realizei, do quanto já poderei ter contribuído para o bem-estar das dezenas de milhares de pessoas com quem terei compartilhado minha arte, nestes últimos 32 anos de atividade profissional.

Fico, agora, a imaginar como eu me sentiria, hoje, caso não tivesse dado o meu primeiro salto mortal. Caso tivesse cedido às tentações de usar minha inteligência (que, sem falsa modéstia, reconheço não ser pouca) em detrimento de minha vontade.

Imagino como me sentiria se tivesse escolhido tocar bateria apenas como hobby e feito algo diferente de minha vida, como estudar qualquer outra profissão, uma que fosse considerada (ou suposta) como sendo mais digna e aceitável do que a minha – por cuja escolha, uma vez comunicada em meu lar, fui expulso de casa, por meu pai, 33 anos atrás.

Eu sabia que poderia ter obtido mais, no sentido material, se tivesse agido de outro modo? Sim, nunca fui tonto. Simplesmente não o quis. Quis ser o que sou. (Ah, sim: e ainda existia a chance de ficar rico e famoso!)

Arrependimento? Nenhum, nem o mais leve. Por isso resolvi falar sobre fazer escolhas com o uso da razão que há no coração, deixando claro me machuquei feio que sempre que fiz escolhas diferentes.

Então hoje, em pleno dia de Natal, a sós com minha consciência, parei pra pensar e senti. Pensei, e cá estou, a escrever.

Agora quero compartilhar algumas impressões dos resultados que obtive, compará-los a muito do que já contemplei e a muito do que me foi dito.

Minha percepção sempre me indicou o acerto de minha decisão instintiva, nos sempre deliciosos momentos em que trabalho – sempre foi bom saber que minha plena realização dependeu apenas do cumprimento de um dom.

Por outro lado, sempre me causou algum desconforto contemplar tantos trapezistas presos ao chão. Por isso, entre outras coisas (bebidas e cigarros, tóxicos legais), sempre evitei tocar em locais em que o contato com platéias fosse íntimo. Causava-me incômodo perceber alguma melancolia em alguns olhares cheios de ardor dirigidos aos palcos em que atuei – ainda que fossem olhares plenos de admiração.

Sempre ficava, em minh'alma, aquela ponta de desconfiança se parte desse encantamento não teria origem causada na frustração de gente que, claramente, gostaria de ter dado a vida para poder estar no lugar do artista.

Nunca vi nada disso como demonstração inveja e nem cobiça, apenas como frustração por não ter feito como doidos como eu e saltado aos ares da possibilidade de vida pela qual clamava a alma de cada um.

Eu dei a minha vida para não ter de olhar ninguém assim, com algo que pudesse parecer inveja (o que, repito, sei nunca ter sido o caso, comigo, pois, ao ter sido olhado, sempre vi carinho).


Tive admiração, tive vontade, tive ímpeto, tive coragem e agi, transformando minha vida num ato ditado pela vontade mais natural que emergiu de minha alma, uma dentre tantas que emergiram, emergem e emergirão.

Hoje, feliz e realizado como artista, alguém cuja intenção é doar de si, entendo o pleno acerto de minha escolha, apesar de haver, talvez, uma outra cuja consecução pudesse levar-me à felicidade.

Mas nesta outra, à qual ora me dedico, ao estudar Direito, certamente não teria tocado tantas almas, não teria contribuído tanto para o enlevo do espírito.

Com essa perspectiva, minha vida adquire um novo valor, e sei, com certeza, que não teria sido igualmente feliz caso tivesse optado por nela ter ingressado pela via “mais fácil”, “mais natural” de ter seguido carreira como a de medicina, a exemplo da de papai. (continua)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

NATAL?

Natal = data natal = dia do nascimento.

Este dia, 25 de dezembro, é o dia natal de quem?

Se você perguntar pra qualquer criança, há cerca de 99,9% de chance de a resposta ser esta: não sei.

Ou, pior: "Ah, é de de Papai Noel!"

Bem, os tempos mudam, os costumes evoluem (?), mas o fato é a data de amanhã seria de comemoração pelos 2008 anos de nascimento de um certo Jesus, filho de Maria e do José, carpinteiro.

Jesus, também conhecido como Cristo, foi um espírito de luz encarnado em homem, cuja incumbência foi a de semear a cordialidade entre os homens.

Contrariou alguns interesses, e foi morto por isso, pregado a uma cruz, segundo os costumes da época.

Muita gente já ouviu falar dele, e muitos orientavam seus comportamentos de acordo com palavras que Jesus deixou como legado; dentre elas, estas: "ama teu próximo como a ti mesmo".

Você, caro leitor, ouviu falar de Cristo, recentemente? Ouviu menção ao dia de Natal ser aniversário dele?

Eu não, nem uma vez.

Tenho andado muito ocupado, ultimamente, então posso não ter dado conta de observar alguma menção ao fato que originou o costume da celebração natalina.

Mas como poderia? O espaço dado ao incentivo da atividade de comprar presentes, modo tosco de celebrar a data, é tamanho que mal se consegue ver outra coisa.

De um modo ou de outro, deixo aqui registrados os meus votos de que 2009 possa marcar a história como o ano em que os homens se aproximem mais do ideal de Cristo do que de tudo aquilo que nos afaste dele.

Feliz aniversário, Jesus!

Feliz Natal, meus amigos!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

PNEUS ARRIADOS

Por motivo de doença do corpo, a alma entrou em repouso, e este blogue entrará em pausa compulsória.

Volta logo, espero, assim que estiver restabelecido minha sanitas.

Beijos a todos, principalmente em mim!

sábado, 29 de novembro de 2008

Primeiro naco

Resolvi começar a usar esta ferramenta de expressão depois de mais uma das diversas etapas, todas longas, sucessivas, quiçá ininterruptas de muito escrever e falar pelos cotovelos.

Em minha defesa de falador compulsivo: durante os meus rompantes de burro do Shrek posso ter sido culpado, talvez, de falar demais - mas sem nunca ouvir menos, note-se.

Mas, mesmo assim, tenho plena consciência de que terei abusado, incontestavelmente, da boa vontade daqueles seres humanos amigos, cujos ouvidos e olhos terei invadido impiedosamente com a enchente de coisas que brotam de minha demente.

Ainda que espere sempre ter incitado curiosidade, provocado alguma graça, criado algum interesse ou suscitado alguma inspiração naqueles que conviveram com minha fase falastrona - que permanece, de qualquer modo, até a minha morte, devo ressaltar - anuncio que pretendo - sim, pretendo, porque conseguir é outra coisa - tornar-me menos ativo nesse sentido.

Desse modo, por sugestão de alguém cujos ouvidos pareceram estar por demais repletos do som de minha voz, resolvi criar este blog, embora deteste fazer coisas que estejam na moda... e NADA está tão em voga quanto cultivar as sementes dos nossos parcos - mas importantes - quinze minutos de fama no canteirinho amigo de um cantinho no ciberespaço.

Aqui você poderá vir cotidianamente, caro ouvinte-leitor costumeiro, além de quem mais quiser vir a saber do que eu esteja com vontade de dizer... ou não.

Pauta? Nenhuma. Acho que esse é o espírito disto aqui. Como diria Millôr Fernandes: "Livre pensar é só pensar." Portanto posso falar de qualquer coisa, sem ter a mínima pretensão de nada, nem mesmo de ser entendido, sequer lido. Não importa, posto que a intenção é economizar os ouvidos alheios, meu aparelho fonador e algum papel.

Se um dia eu ficar famoso com isso, faço um filme - sem baratas em big close-up - e dôo todos os lucros à caridade. Mas se disserem que eu sou viado, não acreditem! A fama só cria viados em fofocas de revistas de famosos.